18 de junho de 2011

A Eternidade em um segundo

Essa palavra - Eternidade - sempre me intrigou profundamente. Acho que é assim com todos que param para refletir sobre isso. Bem, para desenvolver esse tema (ao menos, introduzí-lo segundo minha ótica) vou postar, em primeiro, a definição segundo a Wikipedia:

Eternidade é um conceito filosófico que se refere no sentido comum ao tempo infinito; ou ainda algo que não pode ser medido pelo tempo, porquanto transcende o tempo. Se entendermos o tempo como duração com alterações, sucessão de momentos, a Eternidade é uma duração sem alterações ou sucessões.




O conceito acima vai contra toda a lógica humana - e toda a retórica também, pois que essa, também, é mutável. Como definir, imaginar ou conceber algo que não mude, não se altere e não se movimente? Segundo Newton, "tudo, na Natureza, se transforma". Também, segundo ele:

Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele.

Logo, algo que estivesse parado, sem um impulso, continuaria parado, e também assim o que estivesse em movimento. Logo, como num trem eternamente em movimento, nunca perceberíamos como é estar parado na estação. Einstein também dizia que o tempo passa mais devagar para quem está parado e mais rápido para quem está em movimento (num trem, e.g.). O homem tem essa ânsia: de parar o trem e descer para encontrar o Monitor da linha férrea. 

Concebendo a Eternidade segundo Newton, poderíamos dizer que também estamos em um estado eterno - de eterno movimento (involução e evolução). Mas, analisando o que Newton diz acima, poderíamos perguntar:

Se estamos em movimento, quem (ou o quê) nos deu o primeiro impulso?? Em que tempo, já que o Tempo Eterno não se altera? 

A resposta é simples: AGORA É PARA SEMPRE!

A título de analogia, satisfazendo assim os fantasmas dos filósofos clássicos de plantão, poderíamos imaginar a Eternidade como uma Fonte: dela não cessam de sair águas, embora ela mesma não deixe de ser a única e mesma Fonte! As águas, depois de emanarem da Fonte, entram um movimento frenético, por corredeiras, rios, afluentes, lagos, cachoeiras, até alcançarem o Mar e se evaporarem para cair do céu em forma de chuvas e alinhavarem a Criação. Daí, todo o ciclo das águas, depois de saírem da Fonte se repete eternamente (a nível local).

Fica outra pergunta: se estamos tão longe do Monitor da Estação, nós, em eterno movimento, como poderíamos perceber ou encontrar qualquer sinal de Eternidade (ou do Primeiro Movimento)??

Olhe em seu relógio. Os ponteiros não param de correr, em ciclos hipnóticos. Você consegue capturar (ou fotografar) um segundo em particular do tempo do Relógio?? Cada segundo é o Eterno Agora, é a semente do Tempo que não para, de onde todas as coisas surgem e são criadas e modificadas o tempo todo, e de onde todas as Idéias do Monitor da estação nos chegam, como que por avisos nas placas do Caminho. Tudo já existe desde sempre. O Tempo é apenas a forma da manifestação de cada Fato Eterno, emergindo de cada segundo do relógio, como nas faces de Jano.

Estamos mergulhados em um mar de Eternidade e não nos damos conta disso. Deixo mais duas frases:

A Eternidade não se dá a conhecer mais pelo grande do que pelo reduzido.
(Frederico Francisco Stuart, Visconde de Figanière e escritor português)

Io sono qui, come te, con questa paùra de  amare per due minuti, due ore o un' eternitá...(Renato Russo, in "Due")