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Mostrando postagens com o rótulo Achados e Perdidos - Poesia

A Rosa e a Mulher

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Na minha curta existência, vi poucos símbolos expressarem tão eficientemente o Sagrado Feminino como a Rosa e o Cálice. Como já foi visto, no quadro A Última Ceia, Michelangelo expressa a importância da Mulher para Jesus (Maria Madalena, sua esposa) através do simbolismo da taça no esboço dos contornos das vestes dele e de sua companheira a seu lado. Seria um desenho em forma de V (taça), também forjando a letra M (de Mulher, Mãe e também porque a letra Mem, em hebraico, era a letra do elemento Água, distintivo do feminino que gera a Vida). Mas, há também a combinação das cores azul e rosa das vestimentas de Jesus e Maria Madalena, denotando claramente o entrelaçamento indissolúvel entre seus corações. Mais ainda que a Taça (como no Tarô), para mim, a Rosa é a forma feminina mais perfeita de nosso mundo. Nascida da terra, com o aroma da manhã, traz os espinhos dos sofrimentos do mundo, vermelha pela paixão e Amor pela vida, pela qual se entrega sem reservas, e também aos que cultivam a...

Vertigem (Recortes)

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Nascer do Sol Nascer do Sol - "Re-flexo" O nascer do Sol será para todos Mas só alguns o sentem… Os sentimentos de Amor Não são quimeras nem utopias Nem para sofrer vasta dor… Stromness, Geórgia do Sul Stromness, Geórgia do Sul - "Re-corte" ...É o sentir de emoções De muitos cruzamentos De Amor nos corações… ******* Poesia de Zezinho Mota , in http://zezinhomota.blogspot.com/2007/01/o-nascer-do-sol.html

Sonho: Não Sei quem Sou! (Fernando Pessoa)

Sonho. Não sei quem sou neste momento. Durmo sentindo-me. Na hora calma Meu pensamento esquece o pensamento, Minha alma não tem alma. Se existo é um erro eu o saber. Se acordo Parece que erro. Sinto que não sei. Nada quero nem tenho nem recordo. Não tenho ser nem lei. Lapso da consciência entre ilusões, Fantasmas me limitam e me contêm. Dorme insciente de alheios corações, Coração de ninguém. Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

Oscar Wilde - Trechos de "O Recital do Cárcere de Reading"

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Oscar Wilde nasceu em 16 de outubro de 1854 em Dublin, Irlanda. Filho de William Robert Wilde, cirurgião-oculista que servia à rainha. Sua mãe, Jane Speranza Francesca Wilde, escrevia versos irlandeses patrióticos com o pseudônimo de Speranza.Foi educado no Trinity College, Dublin e mais tarde em Oxford. Lá ele recebe a influência de Walter Pater e da doutrina da "arte pela arte". Em 1879, vai para Londres, para estabelecer-se como líder do "movimento estético". Em 1881 é publicada uma coletânea de seus poemas. Em 1882, sem dinheiro, aceita participar de um ano de viagens entre USA e Canadá. Essa viagem lhe rendeu fama e fortuna.Em 1884, casa-se com a bela Constance Lloyd. Com a publicação de " Retrato de Dorian Gray ", sua carreira literária deslancha. Oscar e Constance tinham 2 filhos: Cyril e Vyvyan. Mas uma noite, Robert Ross, um hóspede canadense jovem, seduziu Oscar e forçou-o, finalmente, a confrontar-se com seus sentimentos homossexuais que o perse...

Alguns pensamentos...

Você pode sonhar muito alto, o quanto quiser, mas na trajetória da conquista dos seus sonhos, duas coisas são imprescindíveis: manter a cabeça sempre acima dos pés, e os pés sempre no chão. Você quer mesmo ser feliz? Não espere a pessoa certa pra se apaixonar. Ame sem reservas, ame, permita-se ser romântico (a), não esconda seus sentimentos, permita-se ser até piegas, por mais "ridículo" que se torne. Por que, afinal, de tudo o que temos, a única coisa que poderemos levar quando partirmos é só o amor. Moa Assunção .

Meu Sonho / Traze-me (Cecília Meireles)

Meu Sonho Parei as águas do meu sonho para teu rosto se mirar. Mas só a sombra dos meus olhos ficou por cima, a procurar... Os pássaros da madrugada não têm coragem de cantar, vendo o meu sonho interminável e a esperança do meu olhar. Procurei-te em vão pela terra, perto do céu, por sobre o mar. Se não chegas nem pelo sonho, por que insisto em te imaginar? Quando vierem fechar meus olhos, talvez não se deixem fechar. Talvez pensem que o tempo volta, e que vens, se o tempo voltar. *** Traze-me Traze-me um pouco das sombras serenas que as nuvens transportam por cima do dia! Um pouco de sombra, apenas, - vê que nem te peço alegria. Traze-me um pouco da alvura dos luares que a noite sustenta no teu coração! A alvura, apenas, dos ares: - vê que nem te peço ilusão. Traze-me um pouco da tua lembrança, aroma perdido, saudade da flor! -Vê que nem te digo - esperança! -Vê que nem sequer sonho - amor!

O Amor, Quando Se Revela (Fernando Pessoa)

O amor, quando se revela, Não se sabe revelar. Sabe bem olhar p'ra ela, Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há-de dizer. Fala: parece que mente... Cala: parece esquecer... Ah, mas se ela adivinhasse, Se pudesse ouvir o olhar, E se um olhar lhe bastasse Pra saber que a estão a amar! Mas quem sente muito, cala; Quem quer dizer quanto sente Fica sem alma nem fala, Fica só, inteiramente! Mas se isto puder contar-lhe O que não lhe ouso contar, Já não terei que falar-lhe Porque lhe estou a falar...

Ausência (Vinícius de Moraes)

Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz Não te quero ter porque em meu ser está tudo terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado. Eu deixarei ... tu irás e encostarás a tua face em outra face Teus...

Versos Íntimos (Augusto dos Anjos)

Eu sempre fico emocionado quando leio esse clássico. Me inspira não um desespero, mas um sentimento de fatalismo valente, daqueles que só os fortes exprimem quando estão se despedindo da vida. Eu, se estiver consciente logo antes de minha passagem deste lado para o outro lado da Vida, quero declamar esses versos intimamente perpétuos : Versos Íntimos Vês! Ninguém assistiu ao formidável Enterro de tua última quimera. Somente a Ingratidão - esta pantera - Foi tua companheira inseparável! Acostuma-te à lama que te espera! O Homem, que, nesta terra miserável, Mora, entre feras, sente inevitável Necessidade de também ser fera. Toma um fósforo. Acende teu cigarro! O beijo, amigo, é a véspera do escarro, A mão que afaga é a mesma que apedreja. Se a alguém causa inda pena a tua chaga, Apedreja essa mão vil que te afaga, Escarra nessa boca que te beija!

Musa Consolatrix ( Machado de Assis)

Que a mão do tempo e o hálito dos homens Murchem a flor das ilusões da vida, Musa consoladora, É no teu seio amigo e sossegado Que o poeta respira o suave sono. Não há, não há contigo, Nem dor aguda, nem sombrios ermos; Da tua voz os namorados cantos Enchem, povoam tudo Da íntima paz de vida e de conforto. Ante esta voz que as dores adormece, E muda o agudo espinho em flor cheirosa, Que vales tu, desilusão dos homens? Tu que podes, ó tempo? A alma triste do poeta sobrenada À enchente das angústias, E, afrontando o rugido da tormenta, Passa cantando, alcíone divina. Musa consoladora, Quando da minha fronte da mancebo A última ilusão cair, bem como Folha amarela e seca Que ao chão atira a viração do outono, Ah! no teu ...