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Mostrando postagens com o rótulo Minhas Poesias

Malandro no Limbo

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Imagem ilustrativa do que se acredita ser o Limbo. MALANDRO NO LIMBO Para Edgar Allan Poe, in memoriam. Deita-te, Malandro, Até a música acabar, O Tempo parar, O Limbo lamber, E o bardo gemer! Senta-te, aqui, Malandro!  Tire esse escafandro Que te cobre! Oh, pobre  Malandro! Como o louco danças; Ris, te retrais num meandro, Te laceras entre os matos... Avanças! Sim, avanças intrépido Por essa estrada curva. E, por mais que a água Te seja turva, Te apegas ao teu cajado lívido E te lanças... Ah, essas crianças.... Coitadas, matreiras, Que paixões faceiras Elas te insuflam! Mas, não te aflijas, Malandro! As folhas de Coqueiro Até hoje me camuflam; Essas quais te dão cheiro, Charme e te são por travesseiro. Elas te protegerão do Céu Que te esmaga; Te sustentam o Véu Que te puxa... Vai-te, joga-te! Paga! Dissolve esse breu medonho! Não te entendem jamais Quando grita do teu Profundo Inferno, esse seu Demônio! Que na Vida te ponho, Recobro, te assanho! Não ri o que...

Um Beijo no Escuro e um Texto-Enigma

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No diHiTT, tenho amigos incríveis!! Todo mundo, falando de tanta coisa... Hoje, me deu vontade de fazer (ou tentar) o que o João, o Poeta dos Perfis , anda fazendo com maestria. Mas, antes de estrear meu primeiro texto-enigma, e propô-lo à resolução dos amigos, vou interpor um outro texto de um curso de inglês que tive, que aqui traduzi para todos: Um Beijo no Escuro (A Kiss in the Dark) Em um compartimento de um trem que viajava pela Inglaterra, há muitos anos atrás, sentaram-se um sargento do Exército, um jovem soldado, um velha senhora e uma linda mulher. O trem entrara en um túnel e, por quase um minuto, tudo era breu, escuridão total. Então, as quatro pessoas no compartimento, ouviram um beijo estridente e, imediatamente após o som, um violento tapa. Quando o trem saiu do túnel, eles todos se entreolharam, mas ninguém disse palavra. Eles continuaram viajando em perfeito silêncio "Que boa garota!!", pensou a velha senhora, olhando para a jovem mulher. "Ela r...

Incógnita

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Senta-te à beira da cama! Sacode a coberta empoeirada! Olhe para a estrada curva, Visualiza a soleira sem sandálias!! O olhar sobre o nada É o mais fértil adubo Para a indecisão primeva !! Deus olha- se no espelho, Ama-se a si mesmo e, Num vácuo cardíaco, Explode num Amor sem direção . O coração é grande, E teu coração o é mais bravio; Teu sonho é tênue , Mas tuas mãos, calejadas, Dão formas às ceras das colméias . Tua boca saliva Ante ao chá com frutas, Sobre a mesa posto, Balbuciando sonetos ao Mar. Instado pela meia-noite, Tua língua move-se Por uma tal maresia; Tua pele, Ainda seca pela ansiedade, Aspira por um novo Sol, Ressente-se por uma Vestimenta incógnita... Apague a lâmpada da sala, Ebrael !! Feche a porta dos olhos, Poeta!! Comece o concerto dos sonhos, Encontre a face do Mar, Para ti Incógnita.

Henrique e os Pardais

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Por Ebrael Shaddai, Para Valenita Duarte , in Henrique, o Anjo . ******* Henrique, Irmão dos pardais, Não planta nem colhe. Deus o ama, E não o esquece. Quem nunca dançou Com os Pardais?? Quem nunca plantou Ou colheu?? Acaso, quem foi que Deus já esqueceu?? Henrique de nada esqueceu, Todos já amaram os pardais, Alguém já colheu uma dança, Quase ninguém se lembra de Deus. Somos a irmandade dos Grandes Pardais, Filhos e netos dos Pequenos Henriques, Plantações e frutos da Dança da Vida. Somos os Amores Divinos Esquecidos... E o que mais?  

Inseparáveis

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À meia-luz:  Desenhos de gatos na tela,  Chá gelado com pêssego à esquerda  E, ao fundo,  Uma cigarra cantando...  ********** INSEPARÁVEIS Metáfora, pura e bendita, Alcança minhas costas, Aquelas as quais gostas, E afasta a minha desdita!! A ambiguidade que te incita: Tuas costas às minhas nuas costas! No fim, em meu peito te recostas, E meu coração o teu imita. Na secura insana desta Crosta, De ti, uma saudade quase infinita: Agora,  uma metáfora nunca dita, Nada ambíguo pra quem se gosta. ********** (Manuscrito aproximadamente às 23:30h - 21/01/2010 - sexta-feira)

Refluxo

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Andei pelas areias, hoje, Rindo, Indo e vindo, Vindo e voltando. Apreciando o que era lindo, Sentia o feio se embotando. As tais areias, Via e revia, e pulavam Nos meus sapatos, Entravam e saíam, Machucavam, salpicavam. E as ondas bravas, monótonas, dançando Aos olhos, ardendo. E eu, lendo e relendo O grave refluxo, espumando. Me perguntava: - Vês, agora, Ebrael, o mar?? Como é inexorável a antecâmara do retorno!! Diante de ti, uma sinopse desses ciclos, Uma cena da sístole-diástole das águas!! Veja, Poeta da Ira, Que teu indignado coração É instrumento da mesma dor Que cura, E depura, O sangue do Amor  Que se torna tempestade!! Se queres flores, Planta, transplanta E replanta!! Inspire a dor, Aspire Amor, Transpire suor E cante o que eu Já sei de cor. Trague o ar E semeie os ventos. Colha tempestades, Mas que elas não te deixem Pra sempre, Na mesma praia.

A Essência da Poesia

Hoje não vou me preocupar se estou sendo simplório ou não, nem se uso ou não um estilo demasiado rebuscado. Hoje vou me ater a descrever, ao menos, as estranhas sensações por que passam os poetas. Sim, porque descrevê-las a rigor seria uma blasfêmia, uma tentativa vã de profanar aquilo que é o mais sagrado na religião do Poeta: a Inspiração . Mas ainda vou tentar lançar uma luz sobre essa palavra. Inspirar, em latim, é sorver o ar para dentro.  E o que isso representa para um poeta?? Muitos poderão, e já o fazem, falar que poetas são melosos, manipuladores, vãos sedutores, lunáticos, malucos. Outros poderão se arvorar em renitentes dos anos de 1950 e dizerem que poetas são poetas por não terem mais o que fazer. Todo essa introdução, esse mini-prólogo , foi para apresentar um texto que fiz há dois anos, perdido nas pilhas de cadernos de anotações antigos, que ainda estão por ser revistos, para tentar explicar a mim mesmo o que era essa maluquice pessoal, chamada Poesia. PRE...

Difícil Encontro

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Jazem na carne imberbe da Natureza, De um quinhão escondido e guardado, Suas linhas florais, proibidas e prometidas, Seus gritos vermelhos de Cravo, ao Céu de Afrodite... Antes que o Amor passe, chora, range, se rende!! Sempre distante, brava, com espinhos que se eriçam..  - Vai-te, Rosa, a perfumar o sonho rubro!! Apressa-te!! A ágata em flor se ergue, bravia, olhar tórrido, Para tuas sedas vermelhas, carinhos em cascata. Somente o vento pode uní-los, é fato Que a dor é santa, e furiosa a brasa da Paixão...

Dois Pontos e Uma Linha (para João Batista Cunha)

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Essa poesia singela, sem muito brilho nem palavrórios, nasceu de pronto ao ler uma poesia do amigo e irmão de letras, João Batista Cunha . Para ele, com merecimento: Onde pontuamos um ponto, Iniciamos um breve conto, Pelo qual, imberbe, canto, As alegrias e o acalanto. Se me tragar o triste pranto, onde toda minha vida remonto, Vou dar ao meu lápis desconto, sem mais pontuar, ponto e tanto!!

Meu Anjo da Guarda é como uma pedra preciosa!!

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Minha vida, mesmo entremeada de tantas poesias, não tem sido fácil. Não que seja mais difícil que a do restante do mundo, até porque acho que não saio bem no filme pendurado numa cruz. Mas como sempre, quando temos dúvidas em relação ao nosso futuro, são nossos problemas que aparecem, primeiramente, no jornal de nossa vida todas as manhãs, então está sendo 'soda' mesmo!! Já encontrei pessoas ruins e desagradáveis pela vida, que me fizeram sofrer e me causaram muitos dissabores. Claro, pedras no caminho!! Coisas do destino!! Mas há sempre outras pedras pelo caminho, igualmente, pelas quais, às vezes, passamos sem percebê-las em sua beleza. Mesmo sem que notemos e demos o devido o valor a elas, abrilhantam e embelezam nosso caminho, tornando menos rude e violenta a visão da estrada empoeirada, e desfazendo, como cristais, as nossas cegueriras e ilusões. Estou passando por uma situação pessoal muito delicada. Implica, inclusive, riscos à minha estabilidade pessoal e espi...

Versos Supremos (para Gê Sampaio)

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Para Gemária Sampaio , que me inspirou, em um de seus posts , esses... Versos Supremos A partir deste momento, alma minha, As letras de tua vida se desgrudam Da tênue folha, da vã e pálida linha, Onde os verbos em sons puros se mudam. A partir deste ponto, não serás ponto; De agora em diante, serás mais um conto; De poesia encarnada, a vida então te exime De escrever, obra posta, és agora sublime. Vôe com os mantras do coração, satisfeito; Beba da velha bica o último bom vinho. Tome da mesa eterna de Luz, o teu leito. Que o velho véu da mente, como pergaminho, Se desenrole ante ti, mas sem desalinho, Para o último verso, epílogo, em meu peito.

De repente, bateu uma saudade de meu pai!!

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Eu estava ainda agora fuçando no Youtube por clipes de músicas que eu sempre gostei. Me surgiu à mente a canção Pai, do Fábio Jr., que sempre me emocionou. O sentimento de saudade e amor aos pais é diferente em nuances do amor às nossas mães, mas não menos marcante. Não está somente no sangue, está na personalidade inteira, no coração. Meu pai está não muito longe daqui, a uns 80 km, mais ou menos, em Balneário Camboriú. Mesmo que estivesse a menos de 1 km, nós sentiríamos saudades de qualquer jeito, pois sentimos saudades não somente da presença no espaço, mas no tempo, nos tempos de infância, nos tempos de abraços mais frequentes, menos formais, inclusive. A saudade fica mais forte quando percebemos o quanto de nós está contido naquela figura amadurecida pela vida e por suas lições, o quanto de nossos erros e acertos já foram perpetrados por eles, antes mesmo que fôssemos meros espermatozóides e óvulos, o quanto de nosso sorriso, de nossos cacoetes e bordões têm sua origem em c...

Inexoráveis!!

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I Hora Morta, já beira meia-noite, Hora viva, de nosso Nascimento; Hora do Tempo, Tempo é um açoite Que toma pra si um fixo assento. Tempo do Tempo, que sôfrego Mata e faz a tudo renascer. No raiar da alvorada, a vencer A Noite, o teu Sol se iça, trôpego. II Aos amigos, oferecemos poesia!! Aos inimigos, a quem não se fia A Justiça, que é a Vida ensinando Pela Dor, a qual não se tem amando!! O Mundo, a primeira Casa Grande, Reflete-se em miniatura em nosso interior De nossa alma que, quando se expande, Nos diz: "Não é banal cada verso de Amor". **************************** - Composto em forma de comentários no blog da amiga angolana Lili Laranjo -

Vida Destemida

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De que vale a vida em meio à covardia?? De que vale ela sem um pouco de poesia?? Se a mesma Vida é a Grande Mãe-Musa Dos homens cegos e dos de mente obtusa!! O que somos nós para ti, ó Primeira Vida, Nós, as crianças da Luz interna abafada?? O que fazemos por vós, ó Mãe Incriada, Se não formos corajosos, de vida destemida ?? Em meu peito incendeias uma brasa infinita, E em minha Língua, Palavra de Amor bendita, Para a renovação do velho coração dormente!! Ó Vida, se a língua mata o Amor, quando mente, Se o homem, quando ama, não diz o que sente, Fecha minha boca, e corta minha língua maldita!! - Sob inspiração das palavras de Gemária Sampaio , amiga querida, comentando o post O Barroco é Pop ?? (por Clóvis Bulcão ) -

Madrepérola

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Um pescador mergulhou em si mesmo: Foi buscar no leito misterioso do oceano Uma pérola para sua vida, mas não a esmo, Pois seu coração é bravo, ainda que insano. Não levou arpão, não levou nem rede; Não pensava em comida e não tinha sede. Pois a pérola lhe ia mudar inteiro o nome, Que era Ira, mas que com a Alegria agora some. Lama levantou, e a foi caçar lá no fundo; Procura mais árdua e intensa não há no mundo. Mais a ninfa, a nereida, brilhou acima de si: "Vem, triste pescador, vem a sorrir aqui!!" Entre soluços e borbulhas, à deriva naquele sorriso, Trêmulo, mas nadando, se aproximou de improviso. Ouviu atento: "As pérolas são sorrisos a brilhar No coração do meu mundo, no coração do teu Mar"!

Inveja do Mar

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Por querer seguir os passos de seu ídolo, como todo fã, fiz essa poesia para o Carlos Drumond de Andrade. Uma dulcíssima amiga minha, a Syssim , deixou em um de seus posts uma pegada tímida do Drumond . E baseado nessa pegada nasceu essa pérola: Inveja do Mar O Mar é tão vasto, imenso, tão pleno, E suas ondas se agigantam sobre a janela, Só para mirar em teu ventre, que se desvela Sob o úmido lençol, já deveras pequeno. O Amor é tão casto, intenso, tão sereno, Seus braços nos envolvem em paz mais singela; Mas precedido pela Paixão, sempre sentinela De que o Fogo não se nos torne em veneno. No teu Mar, o meu repasto, puro ou obsceno; Em tuas ondas me afogas, mesmo à luz de vela. És Água da Vida, onde a brasa rubra se anela , Calma, perseverante, ao meu bravio terreno.

A Vida, Eu, Você, Agora!! (La Vita è adesso - Renato Russo)

O som do relógio agita o ar da sala: São 9 horas, pausa para o café. São 12 horas, espio minha escala Acabo almoçando novamente de pé. Há 5 anos que juntos acordamos, Há 5 meses nos vemos ao dormir. Há 5 dias que não te faço sentir A mim mesmo. Nos indagamos: Quanta vida passou?? Quantos ventos Açoitaram meu corpo, indomável, Provado pelo tempo e ressentimentos?? Mágoa secreta, olhamos atentos: Se vês, por fim, que viver é inevitável Que seja agora, pois o agora é ponderável.

Ser Pai é...

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É conduzir com segurança, ainda que encima de uma corda-bamba. É ser corajoso, ainda que o coração espasme de medo. É a palavra de autoridade, falada ao ouvido, ecoando no coração durante décadas, tal como um dogma.

Asas de cêra

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Desperto, tento raciocinar, então me belisco. As miragens estão lá?? Me comove o coração. Tontura nos olhos, fogo na alma, cedo ao risco. Atração humana pelo sonho me deixou sem chão. É o que se quer sempre: chegar ao céu, Paraíso esse da alma e do corpo ao léu. Como Ícaro vôou, apaixonado pelo calor, O homem se eleva, sublimado, pelo Amor. Tão efêmeras as asas de cêra, que se desfazem No ato de dormir ou acordar, agonia!! Cair onde os amantes pra sempre jazem, Onde os amantes lutam por sua fantasia. Acordar para os sonhos, como a chuva que estia, Ou sonhar com a vertigem, que as rosas lhes trazem??

Intercâmbio (para Val Du)

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Os posts da Val Du me excitam a imaginação. São posts quase sempre simples, com poucas palavras. Mas são palavras que me tocam como a um sino. E como, ainda que eu fosse um sino que retine, sem Amor eu nada seria , gerei essa pequena criança: Beleza harmônica, Harmonia das formas, Formas de vida, Vidas eternas e passageiras. Passagens pelo mundo, Mundo que passa, Que passa em nós, E nós nos outros. Um em Um, Um pouco no muito, Proporções iguais, Harmonia dos opostos.