29 de dezembro de 2009

A Bohemia Fundamental e a Companhia dos Poetas

Pelo título, não quero que pensem que estou enchendo a cara, como faziam alguns Grandes Poetas e Escritores. Nem encho a cara, nem chego à sola dos pés de nossos Grandes Mestres Poetas. E a palavra Bohemia, hein?!? Está escrita propositalmente de forma errada, na grafia arcaica, pois não é ao sentido etílico-alcóolico que me refiro. Me refiro ao estado de alma do poeta, numa gestação de emoções em seu interior, como quem vai pôr os bofes pra fora, depois de ter tomado meio tonel da Mineirinha do Engenho Velho.


E é essa Bohemia que me invade e bagunça tudo aqui dentro do peito!! Às vezes, é uma bagunça organizada: um vento assola e outro, logo em seguida, reorganiza tudo em versos e estrofes. Pode ser também uma Bohemia prosaica, trivial, em prosa sem versos, parágrafos sem teor definido, porém caindo como um volume de mercúrio sobre minha cabeça. É a Bohemia que não é cerveja, mas que, no calor da falta do que fazer, numa mesa de bar ou da varanda, é a salvação daquele que quer falar de verdade sem ter a quem se dirigir.

Cá estou, numa entrevista com os Poetas de outrora, numa autografia furtiva, escrevendo um pálido ensaio sobre mim mesmo, poetizando com as palavras agridoces de nossa Antiga Antologia.

Eu estou na fase da Dança da Chuva, rogando aos céus por uma resposta que não chega. Abro meu peito para que um analista cego me destrinche e me diga qual é o diagnóstico da alma. Puro Silêncio!! Aquelas vozes, que agora não passam de tons agudos irritantes, das Musas, pedindo por caneta e papel, não me falam nada!! Ficam lá, a entoar melodias monótonas aos marinheiros e camponeses...

 Enquanto isso, eu aqui... eu aqui, com minhas quimeras e afagos na alma, junto de Augusto dos Anjos!!

E eu?? Fico aqui com o José do Drummond!! E agora, José?? Ele retruca: "E agora, Ebrael?? O Amor é isso mesmo"... E o Poeta ainda debocha do meu rosto suado, depois do Amor:

- Hoje beija, amanhã não beija; depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será.

Mário (o Quintana, pois o Lago se absteve de falar) me fala, à sua maneira, que eu nasci de parto "mental" prematuro. Me diz que estou na idade de estar vivo, e vivo demais. Eu, por um momento, duvidara disso.

Peço um cuba-libre, bebida de gente solteira de alma, solta no mundo, presa na multidão. Acendo um miserável cigarro. Vinícius, num impulso, pega em seu violão e cantarola: 


Você que ouve e não fala
Você que olha e não vê
Eu vou lhe dar uma pala
Você vai ter que aprender: (...)


 Antes que continuasse... Eu tenho que aprender sobre a palavra Paciência, essa deusa caseira que acorda todas manhãs sempre com o mesmo arranjo de cabelos.

Fernando Mendes Campos me disse, e o haveria de repetir pelo resto da noite, que a Rosa era a Rainha do Universo. Eu, no entanto, só soube perguntar-lhe onde que ela morava... Certa vez, me lembro de ter feito uma prece para uma rosa vermelha do quintal de um vizinho, para que me trouxesse de volta uma mulher que amava, S. S. S. Mas quem me respondeu foi Papai Noel, por meio de um cartao virtual, enviado por engano por ela, desses que se enviam em massa pelos malditos e-mails impessoais.

"E essa febre que não passa, e meu sorriso sem graça... Quando tudo está perdido... e quando o sol bater na janela do seu quarto...", me soprava Renato Russo. E eu, Renato?? São ainda quatro da manhã. Essa Bohemia que não se acaba. Essa vontade de vaguear por linhas sem fim, que dEla falam...

Teu olhar não diz exato quem tu és, mesmo assim eu te devoro...

Agora compreendo o que significava, intrinsecamente, a ânsia dos navegantes. E compreendi também a razão dos tonéis de rum. Entendi e calculei mentalmente as dimensões da nostalgia dos que empunhavam lunetas e astrolábios, buscando vislumbrar a Terra Prometida no horizonte aquoso. Pois:

"Navegar é preciso, viver não é preciso."                                                                                          




21 de dezembro de 2009

Refluxo

mar, ondas, poesias


Andei pelas areias, hoje,
Rindo, Indo e vindo,
Vindo e voltando.
Apreciando o que era lindo,
Sentia o feio se embotando.



As tais areias,
Via e revia, e pulavam
Nos meus sapatos,
Entravam e saíam,
Machucavam, salpicavam.


E as ondas bravas,
monótonas, dançando
Aos olhos, ardendo.
E eu, lendo e relendo
O grave refluxo, espumando.


Me perguntava:
- Vês, agora, Ebrael, o mar??
Como é inexorável a antecâmara do retorno!!
Diante de ti, uma sinopse desses ciclos,
Uma cena da sístole-diástole das águas!!


Veja, Poeta da Ira,
Que teu indignado coração
É instrumento da mesma dor
Que cura,
E depura,
O sangue do Amor 
Que se torna tempestade!!


Se queres flores,
Planta, transplanta
E replanta!!


Inspire a dor,
Aspire Amor,
Transpire suor
E cante o que eu
Já sei de cor.
Trague o ar
E semeie os ventos.
Colha tempestades,
Mas que elas não te deixem
Pra sempre,
Na mesma praia.

17 de dezembro de 2009

Os Fulanos - Vídeo Sensacional

Eu não costumo postar vídeos, pois a tônica das Memórias não é exatamente o humor. Mas ontem, assistindo ao Programa do Jô, decidi que esse eu não poderia deixar de compartilhar com vocês, leitores. Mesmo porque esse vídeo, com certeza, ficará nas minhas memórias. Fiquei com a barriga doendo de tanto que ri...

Os Fulanos - dupla de atores comediantes, formada pelos gaúchos Décio Ferret, de Pelotas, e Pul Barreto, de Dom Pedrito, RS.

Seguem as duas últimas partes dos vídeos da entrevista deles no Programa do Jô, exibida em 15/12/2009.







Para outros vídeos, acesse também o blog de Os Fulanos no endereço:

http://www.osfulanos.com.br/

16 de dezembro de 2009

A Essência da Poesia

Hoje não vou me preocupar se estou sendo simplório ou não, nem se uso ou não um estilo demasiado rebuscado. Hoje vou me ater a descrever, ao menos, as estranhas sensações por que passam os poetas. Sim, porque descrevê-las a rigor seria uma blasfêmia, uma tentativa vã de profanar aquilo que é o mais sagrado na religião do Poeta: a Inspiração.

Mas ainda vou tentar lançar uma luz sobre essa palavra. Inspirar, em latim, é sorver o ar para dentro.  E o que isso representa para um poeta??

Muitos poderão, e já o fazem, falar que poetas são melosos, manipuladores, vãos sedutores, lunáticos, malucos. Outros poderão se arvorar em renitentes dos anos de 1950 e dizerem que poetas são poetas por não terem mais o que fazer.

Todo essa introdução, esse mini-prólogo, foi para apresentar um texto que fiz há dois anos, perdido nas pilhas de cadernos de anotações antigos, que ainda estão por ser revistos, para tentar explicar a mim mesmo o que era essa maluquice pessoal, chamada Poesia.


PREFÁCIO À POESIA


"Palhoça, 16 de setembro de 2007, 20:55h.

São quase nove horas da noite, e ainda não entendi bulhufas daquilo que eu mesmo escrevi, ao que me atrevo chamar de poesia. São três estrofes subjetivas demais, ao que me parecem incoerentes e desconexas. Fico tentando entender, me perguntando mesmo porque estaria passando meu tempo, aqui, a escrever incoerências. Será que um poeta não teria nada mais o que fazer? Mas, de uma coisa eu tenho certeza: não são apenas pensamentos doidos. São muito mais do que pandorgas ao vento...

O Poeta é um ser estranho: ri de tudo ou chora por tudo. Não consegue ser indiferente a nada, a não ser à própria indiferença. Para ele, a indifernça é algo que não foi realizado em sua essência. A indifernça é aquele estado de coisas que sucede ao aborto de um desejo, e tem aquela cara da Megera das histórias de Medéia. Medéia frustra-se com o desamor de Jasão e procura as Megeras para vingar-se daquilo que não foi.

Para fugir à indiferença e sua tentação relativista e preguiçosa de olhar para o mundo, o Poeta suga todo o Ar ao seu redor, inspira o que lhe estiver vizinho. Sublima tudo aquilo, como em uma Alquimia cardeal, e expira o mesmo ar com impressões diversaS da realidade. Ele traz sonhos à tona. Todo o Mundo Astral e elemental da Natureza humana lhe está disposto, em sua mesa de Mágicas. Então, como num passe de Mágica, suas mãos tecem bordados de flores, linhas de pandorga, cubos de cera. Produz mel de um pote de água e distribui ao seu colibri, seu Pássaro Vestal, para transmutar tudo que está definhando, para catalizar sua própria dor em estar preso em uma jaula de carne e ossos, jaula essa com prazo de validade em contagem regressiva. Então, brincando e rindo-se de si e de seus feitos, o Poeta bagunça tudo que está arrumado, despedaça o que se cristalizou.

O Poeta tem uma religião: o Poeticismo. Poeticismo não é Musismo (culto às Musas), pois as Musas lhe são guarida e protetoras, mas não lhe são por senhoras. Poeticismo é a prática diária de estar perplexo e relatar, em atas congêneres, o resultado desse transe. Esse transe é o inspirar do ar intragável para a maior parte da humanidade doente (em que ele também se inclui), sentir sua dor, e transmutá-la em sons harmônicos. Pois, até da Dor nasce a Harmonia, até no lodo nasce flor!!

O Poeta aprende a reconhecer o brilho nos olhos das pessoas. E não é esse brilho simples de paixão ilusória, de quem acaba de encontrar "a pessoa de sua vida", ou o "salvador de seu mundo". Ele sabe reconhecer, sim, o olho da mudança, o furacão se aproximando, trazendo mudanças. Ora, o furacão é indomado. Contra ele, nada podemos. Então, ele por nós passa, ameaçador, nos refresca, nos sacode, tira tudo do lugar, e ficamos maravilhados com todo esse Poder. Esse é o brilho nos Olhos pelo qual o Poeta procura. Porque ele próprio tem a mesma ânsia do furacão: purgar, limpar o terreno para que tudo possa vir a ser reerguido!!

O Poeta aprendeu que não se deve escrever apologias, mas sim analogias. A essência da Poesia é a metáfora. Um Poeta não escreve "Eu te amo" simplesmente para dizer "Eu te amo". Nas entrelinhas, há muito mais que essas três palavras. Ele escreve códigos, destila letras soltas nas rimas, arranjadas propositalmente, para que o Amor do "Eu te amo", aparentemente genérico, tenha sentido único para quem o leia. É como se ele inserisse, em cada estrofe ou poesia, uma equação, que determinasse qual sentido terá para quem leia.

Enfim... o Poeta deixa pistas, para que todos encontrem com sabor, o que ele próprio gerou a partir de um sofrimento. Não digo sofrimento apenas como dor, mas como parto daquilo que estava engasgado na goela da alma, daquilo que a Alma do Mundo vive, desesperadamente, tentando lhe avisar e ensinar, e que por muito tempo permaneceu em seu caderno amarelado da  Memória...

...tal o que aqui rumino, mastigo... tal o que neste momento gero e regenero!"



                                                                                                         Ebrael Shaddai.


13 de dezembro de 2009

De Ebrael ... Para Ladyanne

O título já diz exatamente para quem foi escrito este post. Não vou ficar com os rodeios típicos da revelação de Amigo Secreto a que estamos habituados. Mas, como faz tempo que não participo de um Amigo Secreto...

Um presente para quem conhecemos, quando o revelamos entre os pacotes, já é quase óbvio a respeito do que seja. Mas, e um presente virtual?? Qual gosto ou aparência pode ter para quem o recebe?? Um presente virtual pode não ser palpável, mas apenas o coração o sente. Quando o presente é virtual, por si só, já revela que pouco ou nenhum contato temos (contato presencial) com aquela pessoa. Então, diferentemente de outras ocasiões, já não surpreendemos a quem presenteamos, e sim surpreendemos o presente. Como assim??

É como se, amarrando uma venda aos olhos do presente, quiséssemos testar o presente em relação a quem ele foi destinado. O presente irá gostar, irá se adequar àquela pessoa?? Aquele mimo lhe servirá na alma?? Vemos, pois, que nosso mimo adquire vida própria!!

 Minha amiga secreta (não mais, pelo título) faz parte do círculo de minhas amizades no dIHiTT. Ela é meiga, simples, discreta e tem um sorriso iluminado e vivo, desses que somente encontramos ao Sol do Nordeste brasileiro. É a Ladyanne. Muitos a chamam de Lady. Está conectada à Web, principalmente, por seu website http://ladyanne.webs.com/ e por seu trabalho autônomo como Web Designer.

Aprendi que o melhor presente que poderemos dar a alguém é lhe fazendo o melhor do que está em nós. Como considero a poesia algo que já corre livre em mim, com certa habilidade, esteja entregue em mãos a você, Ladyanne, meu presente de Boas Festas, como voto de minha amizade por você e um desejo sincero de felicidade.


*************************************


Ladyanne, poesias



Há quem desperdiçe sorrisos,
E esse é um crime, desde que não se queira sorrir.
Há quem negue um sorriso,
Egoísmo esse condenável em seu próprio rosto!!
Há quem, apenas, transfira um sorriso,
Copiando e plagiando o sentimento alheio.


Mas, no âmbito disso tudo,
Com o passar dos anos,
Aprendemos a reconhecer
A quem cujo sorriso não corre em vão
Ladeira da Vida abaixo;
Tal sorriso, como o seu, Ladyanne,
Não é restrito a meias palavras,
Não são meios-sorrisos;
Seu sorriso não é um eco de outros,
E sim ecoado pelas paredes e flores ao seu redor.


Um beijo ambiente,
Uma dádiva sem preocupação
De dar ou receber,
Um segredo e protótipo seu
Ao inaugurar uma nova manhã do seu semblante.


*******************************


Beijos no seu coração lindo, Ladyanne!! Muitas felicidades em mais um ano de sorrisos!! E claro: as divida com todos nós, que te queremos bem!!


Ebrael.