5 de novembro de 2011

2012: Maias, Nostradamus e Nibiru

Sou mesmo muito curioso e atraído irresistivelmente para os mistérios que se me apresentam às vistas. Quando eu era criança, depois das aulas de Ciências, chegava da escola pra pesquisar como poderiam as formigas serem mais organizadas que os seres humanos em sua mini-sociedade. Como as abelhas determinavam quando ocupar uma área, criar ou abandonar uma colméia? Como poderia o ar, algo invisível, derrubar torres de energia e ainda as manifestações mediúnicas serem relegadas ao campo das superstições pela Ciência empirica e caolha?

Isso tudo me assombrava quando criança, e o cientista maluco mirim aqui era deixado de lado pelos covis dos populares no Colégio. Perguntavam-se como poderia um garoto de 10 anos de idade preferir jogar "futebol" com um frasco vazio de vinagre por tardes inteiras a juntar-se às algazarras dos campos de várzea? Não era por demasiado orgulho, embora este sobressaísse; era por saber que nosso tempo é mais útil se usado para nosso desenvolvimento intelectual do que em rituais de passagem infantis, onde uma criança perversa sempre quer pisar na cabeça do mais fraco ou lhe constranger, buscando, nessa perfídia, sua auto-afirmação. Sim, meus amigos, as crianças também sabem ser perversas!

Voltando aos mistérios...

Para entrar logo no assunto que ferve nos meios virtuais (blogs, fóruns, redes socias, etc.) há alguns anos, vamos tentar raciocinar o que gera esse frenesi todo acerca do ano de 2012.

21 de agosto de 2011

O cego de Ipanema

(Paulo Mendes Campos, in "O Amor Acaba")

Há bastante tempo que não o vejo e me pergunto se terá morrido ou adoecido. É um homem moço e branco. Caminha depressa e ritmado, a cabeça balançando no ato, como um instrumento, a captar os ruídos, os perigos, as ameaças da Terra. Os cegos, habitantes do mundo esquemático, sabem aonde ir, desconhecendo nossas incertezas e perplexidades. Sua bengala bate na calçada, com um barulho seco e compassado, investigando o mundo geométrico. A cidade é um vasto diagrama, da qual ele conhece as distâncias, as curvas, os ângulos. Sua vida é uma série de operações matemáticas, enquanto a nossa costuma ser uma improvisação constante, uma tonteira, um desvairio. Sua sobrevivência é um cálculo.


Ele parava ali na esquina, inclinava sua cabeça para o lado, de onde vêm ônibus monstruosos, automóveis traiçoeiros, animais violentos dessa selva de asfalto.Se da rua viesse o vago e inquieto ruído a que chamamos silêncio, ele a atravessava como um bicho assustado, sumia dentro da toca, que é um botequim sombrio. Às vezes, ao cruzar a rua, um automóvel encostado à calçada impedia-lhe a passagem.Ao chocar-se contra o obstáculo, seu corpo estremecia; ele disfarçava, como se tivesse apenas tropeçado, e permanecia por alguns momentos em plena rua, como se a frustração o obrigasse a desafiar a morte.


Mora em uma garagem, deixou crescer uma barba espessa e preta, só anda de tamancos. Como profissão, por estranho que seja, faz chaves e conserta fechaduras, chaves perfeitas, chaves que só os cegos podem fazer. Vive (ou vivia) da garagem do botequim, onde bebe, conversa e escuta rádio. Os trabalhadores que almoçam lá o tratam afavelmente, os porteiros conversam com ele. Amigos meus que o viram a caminhar com agilidade e segurança não quiseram acreditar que fosse completamente cego.

- Já reparou como ele é elegante?

Seu rosto alçado, seu passo firme a disfarçar um temor quase imperceptível, seus olhos esvaziados de qualquer expressão familiar, suas roupas rotas compunham uma figura misteriosamente elegante, uma elegância hostil, uma elegância que nossas limitações e hábitos mentais jamais conseguirão exprimir.

Às vezes, revolta-se perigosamente contra seu fado [Destino]. Há alguns anos, saíra do boteco e se postara em atitude estranha atrás de um carro encostado ao meio-fio. Esperei um pouco na esquina. Parecia estar à espreita de alguma coisa, uma espreita sem olhos, um pressentimento animal. A rua estava quieta, só um carro vinha descendo silenciosamente. O cego se contraía à medida que o automóvel se aproximava. Quando o carro chegou à altura do ponto onde se encontrava, ele saltou agilmente à sua frente. O motorista brecou a um palmo de seu corpo, enquanto o cego vibrava sua bengala, gritando: "Está pensando que você é o dono da rua?"

Outra vez, eu o vi num momento particular de mansidão e ternura. Um rapaz que limpava um Cadillac sobre o passeio deixou que ele apalpasse todo o carro. Suas mãos percorreram o para-lamas, o painel, os faróis e os frisos. Seu rosto se iluminou, deslumbrado, como se seus olhos vissem pela primeira vez uma grande cachoeira. o mar de encontro  aos rochedos, uma tempestade, uma bela mulher.

E não me esqueço também de um domingo quando ele estava saindo do boteco. Sol morno e pesado. Meu amigo ego estava completamente bêbado. Encostava-se à parede em uma tentativa improvável de equilibrar-se. Ao contrário de outros homens que se embriagavam aos domingos, e cujos rostos ficavam irônicos e ferozes, ele mantinha uma expressão ostensiva de seriedade. A solidão de um cego rodeava a cena e a comentava. Era uma agonia magnífica. O cego de Ipanema representava, naquele momento, todas as alegorias da noite escura da alma, que é a nossa vida sobre a Terra. A Poesia servia-se dele para manifestar-se aos que passavam. Todos os cálculos do cego se desfaziam em meio à turbulência do álcool. Com esforço, despregava-se da parede, mas então já não encontrava o mundo. Tornava-se um homem trêmulo e desamparado, como qualquer um de nós. A agressividade, que lhe emprestava segurança, desaparecera. A cegueira não mais o iluminava com seu sol opaco e furioso. Naquele instante, ele era só um pobre cego. Seu corpo gingava para um lado, para o outro, sua bengala espetava o chão, evitando a queda. Volta assustado à certeza da parede, para recomeçar, momentos depois, a tentativa desesperada de desprender-se da embriaguez e da Terra, que é um globo cego girando no Caos.

18 de junho de 2011

A Eternidade em um segundo

Essa palavra - Eternidade - sempre me intrigou profundamente. Acho que é assim com todos que param para refletir sobre isso. Bem, para desenvolver esse tema (ao menos, introduzí-lo segundo minha ótica) vou postar, em primeiro, a definição segundo a Wikipedia:

Eternidade é um conceito filosófico que se refere no sentido comum ao tempo infinito; ou ainda algo que não pode ser medido pelo tempo, porquanto transcende o tempo. Se entendermos o tempo como duração com alterações, sucessão de momentos, a Eternidade é uma duração sem alterações ou sucessões.




O conceito acima vai contra toda a lógica humana - e toda a retórica também, pois que essa, também, é mutável. Como definir, imaginar ou conceber algo que não mude, não se altere e não se movimente? Segundo Newton, "tudo, na Natureza, se transforma". Também, segundo ele:

Todo corpo continua em seu estado de repouso ou de movimento uniforme em uma linha reta, a menos que seja forçado a mudar aquele estado por forças aplicadas sobre ele.

Logo, algo que estivesse parado, sem um impulso, continuaria parado, e também assim o que estivesse em movimento. Logo, como num trem eternamente em movimento, nunca perceberíamos como é estar parado na estação. Einstein também dizia que o tempo passa mais devagar para quem está parado e mais rápido para quem está em movimento (num trem, e.g.). O homem tem essa ânsia: de parar o trem e descer para encontrar o Monitor da linha férrea. 

Concebendo a Eternidade segundo Newton, poderíamos dizer que também estamos em um estado eterno - de eterno movimento (involução e evolução). Mas, analisando o que Newton diz acima, poderíamos perguntar:

Se estamos em movimento, quem (ou o quê) nos deu o primeiro impulso?? Em que tempo, já que o Tempo Eterno não se altera? 

A resposta é simples: AGORA É PARA SEMPRE!

A título de analogia, satisfazendo assim os fantasmas dos filósofos clássicos de plantão, poderíamos imaginar a Eternidade como uma Fonte: dela não cessam de sair águas, embora ela mesma não deixe de ser a única e mesma Fonte! As águas, depois de emanarem da Fonte, entram um movimento frenético, por corredeiras, rios, afluentes, lagos, cachoeiras, até alcançarem o Mar e se evaporarem para cair do céu em forma de chuvas e alinhavarem a Criação. Daí, todo o ciclo das águas, depois de saírem da Fonte se repete eternamente (a nível local).

Fica outra pergunta: se estamos tão longe do Monitor da Estação, nós, em eterno movimento, como poderíamos perceber ou encontrar qualquer sinal de Eternidade (ou do Primeiro Movimento)??

Olhe em seu relógio. Os ponteiros não param de correr, em ciclos hipnóticos. Você consegue capturar (ou fotografar) um segundo em particular do tempo do Relógio?? Cada segundo é o Eterno Agora, é a semente do Tempo que não para, de onde todas as coisas surgem e são criadas e modificadas o tempo todo, e de onde todas as Idéias do Monitor da estação nos chegam, como que por avisos nas placas do Caminho. Tudo já existe desde sempre. O Tempo é apenas a forma da manifestação de cada Fato Eterno, emergindo de cada segundo do relógio, como nas faces de Jano.

Estamos mergulhados em um mar de Eternidade e não nos damos conta disso. Deixo mais duas frases:

A Eternidade não se dá a conhecer mais pelo grande do que pelo reduzido.
(Frederico Francisco Stuart, Visconde de Figanière e escritor português)

Io sono qui, come te, con questa paùra de  amare per due minuti, due ore o un' eternitá...(Renato Russo, in "Due")