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Mostrando postagens de 2010

Tempo-Rei, Tempo-Rei...

Dias furiosos esses em que vivemos, não são? Dias de emoções transbordantes, à Flor da Pele. Dias em que podemos nos sentir ociosos, trabalhando muito, e cansados de fazer nada! Presenciamos uma aceleração de tudo: da tecnologia, dos cânceres, da solidariedade, conhecimento, bem como da ignorância, cegueiras e brutalidades. Tempos confusos, em que nossos corações ora disparam pela ação do café e cigarro, ora pelas paixões proféticas. Não estamos preparados para tudo isso...
A humanidade está na adolescência, e meu coração sente esse fato com toda a intensidade. Como esperar por lições que ainda não estamos preparados pra aprender?? Se Deus é o Tempo, e nosso Pai, então ele pôs suas crianças surdas-mudas a ter aulas de língua russa aos dois anos de idade.
Suas Crianças (nós, pobres coitados) esperneiam, querendo respostas prontas, exatas, no tempo que nos apraz. Não respeitamos o aviso: "É proibido questionar!". Sim, a Vida nos esquadrinha e nos coloca tais quais em Caminhos re…

Jano e o Nexo

Em muitos livros de História Antiga e Mitologia, vemos apenas exaltados os arquétipos de deuses "da moda", como Júpiter, Vênus, Marte, Marte, etc, ou seja, os "cartolas" do Olimpo, que gozavam nos Elíseos as delícias da eternidade de sua condição e origem. Mas poucos se atentam ao arquétipo do Tempo, representado pelo soturno e fatídico Saturno e pelo seu guardião, o deus Jano.
Jano era o deus representado por uma figura com uma face voltada pra trás (passado) e outra pra frente (futuro). A sua face média era desconhecida, digo, a verdadeira, pois que era tida como o nexo, o momento exato da passagem do que foi para o que virá. É exatamente esse nexo que considero como verdadeiro Reino de Jano. É justamente em sua homenagem que o mês de janeiro (Mens Januarius) recebeu esse nome, o "mês de Jano". Por ele, temos a noção prosaica de passagem de um ciclo anual de atividades a um novo.
É estranho tocar nesse assunto, mas há certos instantes em nossa vida em …

Viagem e Transformação de Um Coração Sedentário

Desde criança, sempre me chamaram a atenção as estórias e histórias que contavam as peripécias e aventuras de corações ávidos, ora por aventuras, ora por transformações. Lá se vão os anos em que lia, com sofreguidão, os feitos de Dom Quixote e outros cavaleiros apaixonados, as façanhas de heróis míticos, os sacrifícios de deuses desapegados, etc.
Sabendo que já se amainaram bastante meus instintos de caçador de aventuras e se aproximam, a longas passadas, os tempos de peregrino em busca de uma tal Pedra Filosofal (o fruto dos sonhos, o "tesouro do coração", do qual contava Jesus), meu Pássaro Cardíaco (o Coração de Ebrael) hoje busca a transformação ou enriquecimento do que já estava por revelar-se: o Caminho, ou meu Destino.
Minha Vida é muito boa sim, não nego. Em meio a rotina tranquila, agora com uma colocação profissional estável, embora estressante, um homem não pediria muito mais do que tenho para ser feliz. Mas, lá no fundo, o homem de longas madeixas louras, que um d…

O Espelho dos Seis Tempos

Para C.C.P.:

"Espelho, Espelho meu, há, nesse momento, seres mais felizes do que nós??"
Nós mal havíamos nos conhecido, e já havia empatia entre nós. Eu trabalhava já há algum tempo no setor depressivo-burocrático de Compras de uma empresa privada, em Uberlândia. Quando a vi, à qual chamo aqui de C. C. P., pensei: "Enfim, alguém para me tirar a paz!" Mas, não estava dizendo de uma suposta chatice de conviver com ela, e sim da aventura que seria me degladiar todos os dias com aqueles olhos amendoados. Ainda não havia me dado conta disso, mas já me via a menos de um metro dela.

Certa vez, o Osvaldo, meu supervisor, me "acordou":

 - Lúcio, para de babar!! Conforme-se, ela está onde você não pode alcançá-la!! E o João, do setor de Promoção, anda ainda por perto... Ao que eu dei de ombros:

 - Admirar não tira pedaços, até onde eu saiba!!

Osvaldo é um cara chato. Sua função é fiscalizar. Nasceu para isso: cobrar, cobrar e cobrar!! Diversão não pode, isso não é ce…

Devora-me!!

O Destino é uma Fênix, gestada no Coração e parida, aos gritos, pela Vontade.  (Ebrael Shaddai)

Olhou no alto de uma árvore o homem com olhar em chamas azuis, e encontrou, num dos buracos do tronco oco, um ninho de corujas. Havia um ovo apenas dentro dele. Não, desta vez não vou comê-lo, a despeito do que gostava de fazer quando eu era mais jovem - disse para si mesmo. Quero muito, mas não vou fazer isso!!

Desidério era seu nome de Batismo. Desidério Valente. Sua mãe que, antes de tê-lo era estéril, foi quem lhe pôs esse nome, sugerido em um de seus sonhos em meio à gestação. Desidério vem da palavra em latim para "desejo". Fez jus ao nome escolhido já precocemente, desde o ventre, nascendo prematuro, dizem que motivado pela ânsia de sua mãe por um filho. Sua mãe se chamava Melissa, e seu pai, Frutuoso. Viviam os três em uma terra arrendada à criação de ovelhas, das quais aproveitavam a carne e a lã, no interior do Rio Grande do Sul.

Desidério, desde jovem foi um homem fogo…

Um Beijo no Escuro e um Texto-Enigma

No diHiTT, tenho amigos incríveis!! Todo mundo, falando de tanta coisa... Hoje, me deu vontade de fazer (ou tentar) o que o João, o Poeta dos Perfis, anda fazendo com maestria. Mas, antes de estrear meu primeiro texto-enigma, e propô-lo à resolução dos amigos, vou interpor um outro texto de um curso de inglês que tive, que aqui traduzi para todos:


Um Beijo no Escuro (A Kiss in the Dark)

Em um compartimento de um trem que viajava pela Inglaterra, há muitos anos atrás, sentaram-se um sargento do Exército, um jovem soldado, um velha senhora e uma linda mulher. O trem entrara en um túnel e, por quase um minuto, tudo era breu, escuridão total. Então, as quatro pessoas no compartimento, ouviram um beijo estridente e, imediatamente após o som, um violento tapa.

Quando o trem saiu do túnel, eles todos se entreolharam, mas ninguém disse palavra. Eles continuaram viajando em perfeito silêncio

"Que boa garota!!", pensou a velha senhora, olhando para a jovem mulher. "Ela realmente tem …

Estela e o Escarnecedor

Há tempos, há muito tempo mesmo que escrevo sobre o Tempo. Este é uma tema recorrente. em meio aos personagens com quem brindo alguns goles de Inspiração. Sempre bebi desse cálice com moderação. Mas nesta tarde, bafejado pelos calores desse verão tórrido, eu passei da conta.

Deitei no meu sofá, com dois ventiladores tentando cumprir a missão impossível de aplacar o calor que fazia dentro de casa. Sem nada o que fazer em plena folga, fixei meu olhar no teto, com uma música chamada CatharRhythm ao fundo. Depois de alguns minutos (eu acho), vi-me defronte a um córrego que há nos fundos da minha rua, sentado em um banco rústico de madeira, açoitado pelo vento. Estava sonhando??






Prestava atenção à água correndo, e o tempo passando. O tempo passava, mas não sentia que as coisas ao meu redor se modificavam. Foi quando vi objetos em minha mão que logo associei ao Tempo, ou à nossa percepção de movimento do Tempo. Na mão esquerda, havia um carrinho de madeira artesanal, e na direita, chaves de…

Incógnita

Senta-te à beira da cama!
Sacode a coberta empoeirada!
Olhe para a estrada curva,
Visualiza a soleira sem sandálias!!

O olhar sobre o nada
É o mais fértil adubo
Para a indecisão primeva!!
Deus olha-se no espelho,
Ama-se a si mesmo e,
Num vácuo cardíaco,
Explode num Amor sem direção.

O coração é grande,
E teu coração o é mais bravio;
Teu sonho é tênue,
Mas tuas mãos, calejadas,
Dão formas às ceras das colméias.
Tua boca saliva
Ante ao chá com frutas,
Sobre a mesa posto,
Balbuciando sonetos ao Mar.

Instado pela meia-noite,
Tua língua move-se
Por uma tal maresia;
Tua pele,
Ainda seca pela ansiedade,
Aspira por um novo Sol,
Ressente-se por uma
Vestimenta incógnita...

Apague a lâmpada da sala, Ebrael!!
Feche a porta dos olhos, Poeta!!
Comece o concerto dos sonhos,
Encontre a face do Mar,
Para ti
Incógnita.

Henrique e os Pardais

Por Ebrael Shaddai,
Para Valenita Duarte, in Henrique, o Anjo.
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Henrique,

Irmão dos pardais,
Não planta nem colhe.
Deus o ama,
E não o esquece.

Quem nunca dançou
Com os Pardais??
Quem nunca plantou
Ou colheu??
Acaso, quem foi que
Deus já esqueceu??

Henrique de nada esqueceu,
Todos já amaram os pardais,
Alguém já colheu uma dança,
Quase ninguém se lembra de Deus.

Somos a irmandade dos
Grandes Pardais,
Filhos e netos dos
Pequenos Henriques,
Plantações e frutos da
Dança da Vida.
Somos os Amores Divinos
Esquecidos...

E o que mais?

Pagode, Japoneses e a Língua Portuguesa: Triângulo Perfeito!!

Todos sabem que eu costumo postar, preferencialmente textos. Mas, de vez em quando, me atenho a alguns vídeos realmente dignos de atenção. Alguns, até mesmo necessitando de investigação mais apurada, ou então de estudos científicos.

Lá estava eu, no MSN, essa semana, quando falando com uma amiga, me dou conta de um link de vídeo do YouTube no cabeçalho de um contato meu. Vídeo primoroso aquele!! Demonstra a incrível capacidade de adaptação dos nossos irmãos nipônicos (japoneses). Eles são extremamente versáteis, realmente. Conseguiram a proeza de produzir e interpretar (vejam só!!) um pagode. Por sinal, com uma letra bem escrita, provando a imensa capacidade de interpretação da Língua Portuguesa...

Estou rindo até agora!! Quando estou triste, assisto o vídeo a seguir. Percebo, então, que assassinam a Língua Portuguesa não só no Brasil, mas em todo o mundo!!


Inseparáveis

À meia-luz:  Desenhos de gatos na tela,  Chá gelado com pêssego à esquerda  E, ao fundo,  Uma cigarra cantando...
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INSEPARÁVEIS
Metáfora, pura e bendita, Alcança minhas costas, Aquelas as quais gostas, E afasta a minha desdita!!
A ambiguidade que te incita: Tuas costas às minhas nuas costas! No fim, em meu peito te recostas, E meu coração o teu imita.
Na secura insana desta Crosta, De ti, uma saudade quase infinita: Agora,  uma metáfora nunca dita, Nada ambíguo pra quem se gosta.
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(Manuscrito aproximadamente às 23:30h - 21/01/2010 - sexta-feira)

As Egrégoras e seu poder sobre a sociedade

Por Ebrael Shaddai.
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Começo do século XX. Década de 1920. A Alemanha está destroçada e falida. Os altos tributos de guerra, impostos pelos vencedores da 1ª Guerra Mundial, fazem o povo alemão entrar em uma histeria coletiva. As pessoas estão desesperadas. Milhões de vidas se perderam, e por nada. O orgulho nacional, impregnado na alma popular desde os tempos do glorioso Sacro Império Romano-Germânico, se espatifou sob os coturnos dos Aliados. A neurose e o desespero, causados pela fome e a humilhação frente ao mundo, são a tônica dos sentimentos populares. Bastou que alguém reverberasse as palavras que todos queriam ouvir de um líder, e já ouviam em seus corações, para que a Egrégora Nazista viesse ao poder.

EGRÉGORA -- a palavra provém do grego egrégoroi e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade.

Duas pessoas estão assistindo a uma partida de futebol pela televisão. Torcem …

Jeremias não morreu!!

Jeremias não morreu. Como dizia minha avó, ele deitou, mas não fez a cama. Casou-se cedo. Separou-se tão rapido como se casou. Envolveu-se novamente com mulher, ainda mais rapidamente. Jeremias não queria morrer, pois morrer, para ele, significava acreditar no que diziam os padres: morrer é não ter consciência. Ele queria mais: ele desejava não estar entre os vivos e ter consciência disso, de que se livrou do fardo de estar vivo.
Jeremias cursou Arquitetura. Desenhou prédios, um museu e planejou o interior misterioso dos antros do fórum de sua cidade. Mas não se contentou com tão pouco em alma, em meio a tanto concreto. Lembrava-se de sua mãe ridicularizando seu pai, ao contar que ele a cortejava falando que iria alcançar as estrelas por ela. Quando criança, ele queria ser astronauta, mas ele tinha medo de morrer dormindo ao atravessar de volta a atmosfera. Ele queria ter a consciência de tudo. Quando Jeremias estava já com sua quarta mulher, ao saber que ela traía-o com o entregador d…