5 de fevereiro de 2010

Incógnita

chave, poesias


Senta-te à beira da cama!
Sacode a coberta empoeirada!
Olhe para a estrada curva,
Visualiza a soleira sem sandálias!!

O olhar sobre o nada
É o mais fértil adubo
Para a indecisão primeva!!
Deus olha-se no espelho,
Ama-se a si mesmo e,
Num vácuo cardíaco,
Explode num Amor sem direção.

O coração é grande,
E teu coração o é mais bravio;
Teu sonho é tênue,
Mas tuas mãos, calejadas,
Dão formas às ceras das colméias.
Tua boca saliva
Ante ao chá com frutas,
Sobre a mesa posto,
Balbuciando sonetos ao Mar.

Instado pela meia-noite,
Tua língua move-se
Por uma tal maresia;
Tua pele,
Ainda seca pela ansiedade,
Aspira por um novo Sol,
Ressente-se por uma
Vestimenta incógnita...

Apague a lâmpada da sala, Ebrael!!
Feche a porta dos olhos, Poeta!!
Comece o concerto dos sonhos,
Encontre a face do Mar,
Para ti
Incógnita.