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Jano e o Nexo

História, Jano, Mitologia, deuses, Tempo, janeiro, Crônicas
Jano, o encontro do velho e do novo.
Em muitos livros de História Antiga e Mitologia, vemos apenas exaltados os arquétipos de deuses "da moda", como Júpiter, Vênus, Marte, Marte, etc, ou seja, os "cartolas" do Olimpo, que gozavam nos Elíseos as delícias da eternidade de sua condição e origem. Mas poucos se atentam ao arquétipo do Tempo, representado pelo soturno e fatídico Saturno e pelo seu guardião, o deus Jano.

     
Jano era o deus representado por uma figura com uma face voltada pra trás (passado) e outra pra frente (futuro). A sua face média era desconhecida, digo, a verdadeira, pois que era tida como o nexo, o momento exato da passagem do que foi para o que virá. É exatamente esse nexo que considero como verdadeiro Reino de Jano. É justamente em sua homenagem que o mês de janeiro (Mens Januarius) recebeu esse nome, o "mês de Jano". Por ele, temos a noção prosaica de passagem de um ciclo anual de atividades a um novo.

É estranho tocar nesse assunto, mas há certos instantes em nossa vida em que sentimos esse nexo, esse lapso de tempo que parece não passar, nos deixando em completa perplexidade. Não apenas ignoramos o que será de nossa vida, como achamos que ela parou. É essa condição singular que faria de Jano uma figura toda especial no inconsciente da humanidade: o instante eterno (efêmero após ter-se passado por ele) em que sentimos intensa comoção pelo encerramento, por vezes trágico ou melancólico, de um ciclo ou fase de nossa vida.

Acho que estou passando (ou estacionário) num desses nexos, num desses ponteiros parados do meu relógio da Vida, parado às portas da Câmara das Escolhas, sem ignorar, no entanto, que as escolhas já foram feitas e que não podemos voltar atrás delas. Ou seguimos a Lei de Causas e Efeitos, ou nos perdemos. O Tempo não para, e nós não podemos nos demorar muito, já que há muitos outros pórticos por quais passarmos.

Comentários

  1. Amo...mitologia... excelente sua comparação, com que está vivenciando e com o mito de Jano...Parabéns!!! Me fez lembrar da morte do meu filho, mas não com dor, mas sim lembrar que foi um momento de passagem em que o tempo naquele momento desceu sob mim, o veu do esquecimento por varios meses....Beijo em seu coração e sucesso...

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  2. Ebrael, mitologia não se esgota. Neste caso, que exemplo, porque podemos associar a fatos nossos e dos outros. O nexo neste caso seria a coerencia, como a conexão entre ontem e hoje. As tormentas de nossos pensamentos e as tempestades que atravessamos durante a trajetoria de uma vida.

    A poesia é um nexo entre dois mistérios: o do poeta e o do leitor.
    (Dámaso Alonso)

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  3. Adoro mitologia principalmente a Grega,Ótimo blog o seu amigo,sucesso

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  4. Nossa! Não conhecia este arquétipo do Tempo. Pra tudo tem uma razão, ou melhor, uma matemática do tempo - futuro/presente. Pra tudo na vida, né? Eu sei o que é isto... E Paulinho da Viola relata bem: "Voltar quase sempre é partir para um outro lugar." Paulinho da Viola

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  5. O tempo não para, mas nos temos todo tempo do mundo (:

    Bah, coloquei o banner do seu blog no meu, porque gamei no blog *.* no texto, e no anterior tbm, muito bom, parabens ^^

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  6. Acredito que o significado seja este mesmo. O ponto mais alto ou mais baixo da senóide, onde tudo estaciona por um momento e vai tender a se movimentar e indicar outros cminhos. Para 'melhor' ou 'pior' na nossa pequena compreensão. Mas na verdade tudo concorre para nossa melhoria. Sempre.

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  7. Olá Ebrael:

    Esse texto é cultura pura.

    Muita gente tem segurança em dizer que o passado já foi e que o futuro ainda não chegou mas, pensando bem, tudo está ligado, não dá para separar um universo do outro. Quem disse que a quarta dimensão não tem vários outros universos paralelos :)

    ABS

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