8 de setembro de 2009

Inveja do Mar

Por querer seguir os passos de seu ídolo, como todo fã, fiz essa poesia para o Carlos Drumond de Andrade. Uma dulcíssima amiga minha, a Syssim, deixou em um de seus posts uma pegada tímida do Drumond. E baseado nessa pegada nasceu essa pérola:



Inveja do Mar

O Mar é tão vasto, imenso, tão pleno,
E suas ondas se agigantam sobre a janela,
Só para mirar em teu ventre, que se desvela
Sob o úmido lençol, já deveras pequeno.

O Amor é tão casto, intenso, tão sereno,
Seus braços nos envolvem em paz mais singela;
Mas precedido pela Paixão, sempre sentinela
De que o Fogo não se nos torne em veneno.

No teu Mar, o meu repasto, puro ou obsceno;
Em tuas ondas me afogas, mesmo à luz de vela.
És Água da Vida, onde a brasa rubra se anela,
Calma, perseverante, ao meu bravio terreno.