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Vida de Giordano Bruno, um homem completo, à frente de seu tempo

Giordano Bruno foi um filósofo viajante, sem lar, perseguido por duas Igrejas, a Católica e a Protestante. Foi um autor produtivo, com cerca de 20 obras relevantes e revolucionárias. Nascido em 1548 e assassinado pela Inquisição em 1600, foi forçado a renegar a sua obra e os seus ideais, coisa que se recusou a fazer.

Foi uma inteligência multidisciplinar, cuja obra abrangeu da astronomia à epistemologia, passando pelas demais áreas do conhecimento humano da época.
Contestou fortemente as idéias predominantes no século 16, como o geocentrismo e o aspecto racional da fé. Ele pagou por seu brilho intelectual e seu inconformismo com a própria vida.

Giordano Bruno nasceu em 1548, cinco anos após a morte de Copérnico, na localidade de Nola, próxima ao Vesúvio, na Itália. Em 1561 ele iniciou seus estudos no Mosteiro de São Domenico, o mesmo mosteiro de São Tomás de Aquino.
Bruno, ao contrário de seus colegas, era franco, extrovertido, contestador e brilhante. Seu gênio indisciplinado impediria o prosseguimento de seus estudos no mosteiro, e futuramente lhe traria problemas sérios com a Inquisição. Também foi obrigado a deixar sua cidade natal e vagar pelo mundo.

Em 1581 Bruno chegou a Paris e começou a lecionar Filosofia. Sua reputação alcançou o Rei Henrique III, que ficou curioso com a fama de mágico e feiticeiro de Bruno, que tinha um conhecimento muito grande e uma memória fantástica, e acabou se tornando protegido de Henrique III.

Por esta época iniciou sua obra extremamente vasta e numerosa: "De Umbras Idearum" ("As Sombras das Idéias"), "Ars Memoriae" ("A Arte da Memória"), e outros. Giordano Bruno defendia, em plena época de Inquisição, que o Cristianismo era inteiramente irracional, contrário à Filosofia e em desacordo com outras religiões. Afirmava que o Cristianismo era aceito através da fé, que não tinha base científica.

Ao mesmo tempo em que escrevia outras obras filosóficas e de grande impacto, e já sendo considerado herege por católicos e protestantes, Giordano Bruno lecionou em toda a Europa, entre 1582 e 1592. Ensinava a doutrina de Copérnico, enfrentando o deboche das pessoas, acostumadas com a curta visão geocêntrica de Aristóteles e Ptolomeu.

No seu livro "De la Causa, Principio, et Uno" ("Da Causa, Princípio, e Unidade"), ele escrevia:
"Este globo inteiro, este astro, não sendo sujeito à morte, e a dissolução e a aniquilação sendo impossíveis na Natureza, de tempos em tempos renova a si próprio, mudando e alterando todas as suas partes. Não existe o superior e o inferior absoluto, como pensava Aristóteles; não existe posição absoluta no espaço, mas a posição de um corpo celeste é relativa à de outros. Em todo lugar há mudanças na posição através do Universo, e o observador está sempre no centro das coisas."

A par de outras obras que versavam sobre assuntos filosóficos, Giodano Bruno escreveu "O Infinito" e "O Universo e seus Mundos".

Por suas idéias revolucionárias e contrárias aos dogmas da Igreja (tanto da Católica quanto da Protestante), foi aprisionado em masmorras escuras e fétidas, entre 1593 e 1600. Forçado por diversas vezes a renegar seus escritos e suas idéias, permaneceu firme e intransigente na defesa dos mesmos.

Bruno foi julgado pela Inquisição e condenado à morte. Desafiando os juízes que o condenavam pelas suas idéias, bradou: "Talvez vocês, meus juízes, pronunciem esta sentença contra mim com maior medo do que eu a recebo".

Recebeu mais oito dias para se "arrepender", o que obviamente não fez. Em 17 de fevereiro de 1600, após ser colocado na estaca, enquanto estava morrendo queimado, recebeu um crucifixo para se "purificar", mas jogou-o longe, com um desprezo feroz.

Seus trabalhos foram incluídos no famigerado "Santo Index" (lista de livros considerados sacrílegos pela Igreja Católica, e proibidos de serem lidos) em 7 de agosto de 1603.

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