24 de abril de 2009

Propósito do 'Dies Irae'

Bem, o 'Dies Irae' foi criado porque eu tinha muitas coisas pra falar e havia poucas pessoas pra ouví-las. Eu já estava cansado de falar ao espelho, de xingar sozinho pelos absurdos que via e ouvia a cada dia. Precisava, não só escrever tudo isso em um caderno de anotações; precisava disponibilizá-las ao mundo, compartilhá-las com todos. É claro que não esperava, nem espero, que as pessoas comentem e dêem sua opinião a tudo que escrevo ou publico. Até porque muito do que escrevo não agrada a muita gente e, por outro lado, não tenho a mínima experiência em divulgar meu blog. Apenas faço o que posso; trabalho o dia inteiro em outro emprego; não sou blogueiro de carteirinha.

Queria fazer um blog que causasse impacto. Queria chocar, provocar reflexões, mesmo que revoltantes, nas pessoas. E já consegui isso algumas vezes, até mesmo chegando eu a receber ameaças pela minha boca grande. Desejava um blog que expressasse a minha indignação com os absurdos cotidianos e, ao mesmo tempo, demonstrar a minha fé no que pode influir pra mudar esse estado de coisas, que por aí vemos todos os dias.

'Dies Irae' é uma expressão latina, que quer dizer 'o Dia da Ira'. 'Dies Irae' também é o título de uma composição em forma de hino gregoriano, do compositor Tomás Cetano, datada do séc. XIII, baseada no livro bíblico do profeta Sofonias, no cap. 1, vers. 15 e 16.

Decidi que iria ser esse o título mais apropriado ao meu blog ao assistir a esse hino no YouTube. Eis a seguir o vídeo, e logo abaixo a letra com a respectiva tradução:




Dies iræ, dies illa,
Dia da Ira, aquele dia
Solvet sæclum in favilla,
Em que os séculos se desfarão em cinzas,
Teste David cum Sibylla !
Testificam Davi e Sibila !
Quantus tremor est futurus,
Quanto terror é futuro,
quando judex est venturus,
quando o Juiz vier,
cuncta stricte discussurus !
para julgar a todos irrestritamente !
Tuba mirum spargens sonum
A trombeta, espalha o poderoso som
per sepulcra regionum,
pela região dos sepulcros,
coget omnes ante thronum.
convocando todos ao Trono.
Mors stupebit et Natura,
A morte e a natureza se aterrorizam,
cum resurget creatura,
ao ressurgir a criatura,
judicanti responsura.
para responder ao Juiz.
Liber scriptus proferetur,
o Livro escrito aparecerá,
in quo totum continetur,
em que tudo há,
unde Mundus judicetur.
em que o mundo será julgado.
Judex ergo cum sedebit,
Quando o Juiz se assentar,
quidquid latet apparebit,
o oculto se revelará,
nil inultum remanebit.
nada haverá sem castigo !
Quid sum miser tunc dicturus ?
Que direi eu, pobre miserável ?
Quem patronum rogaturus,
A que Paráclito rogarei,
cum vix justus sit securus ?
quando só justos estão seguros ?
Rex tremendæ majestatis,
Rei, tremenda Majestade,
qui salvandos salvas gratis,
que ao salvar, salva pela Graça,
salva me, fons pietatis.
salva-me, fonte Piedosa.
Recordare, Jesu pie,
Lembre-se, piedoso Jesus,
quod sum causa tuæ viæ ;
que sou a causa de tua Via;
ne me perdas illa die.
não me perca nesse dia.
Quærens me, sedisti lassus,
Resgatando-me, sentiste fadiga,
redemisti crucem passus,
me redimiste sofrendo a Cruz,
tantus labor non sit cassus.
Tanto trabalho que não seja em vão.
Juste Judex ultionis,
Juiz Justo da Vingança Divina,
donum fac remissionis
Dá-me a remissão dos meus pecados,
ante diem rationis.
antes do dia Final.
Ingemisco, tamquam reus,
Clamo, como condenado,
culpa rubet vultus meus,
a culpa enrubesce meu semblante
supplicanti parce Deus.
suplico a Ti, ó Deus
Qui Mariam absolvisti,
Ao que perdoou a Madalena,
et latronem exaudisti,
e ouviu à súplica do ladrão,
mihi quoque spem dedisti.
Dá-me também esperança.
Preces meæ non sunt dignæ,
Minha oração é indigna,
sed tu bonus fac benigne,
mas, pela sua Bondade atuas,
ne perenni cremer igne.
Não deixe-me perecer incinerado no Fogo Eterno.
Inter oves locum præsta,
Coloque-me com as ovelhas
et ab hædis me sequestra,
Separe-me dos cabritos,
statuens in parte dextra.
Ponha-me em sua Destra
Confutatis maledictis,
Condena os malditos,
flammis acribus addictis,
lance-os nas chamas famintas,
voca me cum benedictis.
Chama-me aos benditos.
Oro supplex et acclinis,
Oro-te, rogo a Ti de joelhos,
cor contritum quasi cinis,
com o coração contrito em cinzas,
gere curam mei finis.
cuide do meu fim.
Lacrimosa dies illa,
Lacrimoso aquele dia,
qua resurget ex favilla
no qual, das cinzas ressurgirá,
judicandus homo reus.
para ser julgado o homem réu.

Huic ergo parce, Deus.
Perdoe-os, Senhor Deus
Pie Jesu Domine,
Piedoso Senhor Jesus,
dona eis requiem. Amen.
Dá-lhes descanso, Amém !

Assim, ouvindo esse cântico em estilo gótico, é que decidi que ele se identificava plenamente com minha índole, a índole de um cara que tem uma fé inabalável na justiça como recuperadora da harmonia. Para que a harmonia se refaça, há necessidade de que o que desequilibra um sistema seja expurgado. Expurgado não quer dizer destruído, pois nada na natureza se destrói, mas sim é tão-somente afastado para meios mais apropriados. Ou seja, resumindo, acredito que há uma força destinada exclusivamente ao expurgo (ou como queiram, banimento) do que nos é insalubre e perigoso, no devido prazo. E é essa força, que precipita o choque de retorno cármico, que nos salva da destruição, que nos livra de nos matarmos a todos, que distribui a Justiça sem olhar a quem, sem pena!!

Poderia dar nomes aos bois, mas isso é assunto para os posts do blog, e não para essa simples explanação. No mais, aproveitem e contribuam, externando sua ira contra a indiferença e a alienação mental, precipitando uma grande onda de reflexão nos seus ambientes de vida!!

Grato a todos,

EBRAEL SHADDAI.