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Versos Íntimos (Augusto dos Anjos)

Eu sempre fico emocionado quando leio esse clássico. Me inspira não um desespero, mas um sentimento de fatalismo valente, daqueles que só os fortes exprimem quando estão se despedindo da vida. Eu, se estiver consciente logo antes de minha passagem deste lado para o outro lado da Vida, quero declamar esses versos intimamente perpétuos:


Versos Íntimos


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


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MALANDRO NO LIMBO
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Sim, avanças intrépido Por essa estrada curva. E, por mais que a água Te seja turva, Te apegas ao teu cajado lívido E te lanças...
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Mas, não te aflijas, Malandro! As folhas de Coqueiro Até hoje me camuflam; Essas quais te dão cheiro, Charme e te são por travesseiro.
Elas te protegerão do Céu Que te esmaga; Te sustentam o Véu Que te puxa... Vai-te, joga-te! Paga!
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